Rotary Club de Lisboa-Estrela promoveu rastreios no âmbito do projeto "Bem ouvir e ver para melhor aprender"

 

Nos dias 25 e 26 de Outubro, o Rotary Club de Lisboa-Estrela levou a cabo uma série de rastreios à visão e à audição a crianças do pré-escolar e do primeiro ciclo, em Almodôvar (Beja) e em Lisboa, no âmbito do projecto “Bem ouvir e ver para melhor aprender”.

Desta forma, na Biblioteca da Escola Básica Mestre Arnaldo Louro de Almeida, em Lisboa, foi  montado um autêntico Consultório de Oftalmologia, no qual estiveram presentes uma médica oftalmologista e duas equipas, totalizando sete ortoptistas da Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa que realizaram os rastreios à visão. Simultaneamente, no gabinete da Coordenadora da  Escola Básica Mestre Querubim Lapa, decorreram rastreios à audição feitos pela equipa de audiologistas da Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Coimbra.
 
Em Almodôvar foram rastreadas um total de 115 crianças, das quais 50 foram encaminhadas para consultas de oftalmologia. Os rastreios foram acompanhados de perto pelo Companheiro Fernando Medeiros de Sousa, que tem estado envolvido neste projecto desde o seu início, em 2003.

Esta foi uma excelente oportunidade de o clube mostrar ao Governador Abílio Lopes e ao Companheiro Roberto Carvalho, Presidente da Comissão Distrital dos Serviços à Comunidade, o trabalho que tem estado a realizar e que poderá ser replicado por outros clubes nas suas comunidades.

Preocupados com o insucesso escolar imputável a défices de audição e de visão das crianças que iniciam a escolaridade obrigatória, em Outubro de 2003 o Ministro da Educação à data, Dr. David Justino, o Dr. Carlos Martins, Secretário de Estado da Saúde e o Dr. Pedro Santana Lopes, Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, assinaram um protocolo que consolidava e oficializava a continuação de um projecto de rastreio à audição e à visão aos alunos do primeiro ano do Ensino Básico do concelho de Lisboa, que o Rotary Clube de Lisboa-Estrela havia coordenado no ano anterior, a pedido da Câmara Municipal de Lisboa. Ao abrigo desse protocolo, foi reorganizado o projecto, que passou a abranger apenas as crianças que não tinham feito o Exame Global de Saúde e que representavam cerca de 60% dos alunos do primeiro ano.
 
Até ao ano de 2005, o projecto foi realizado nas 95 escolas do Ensino Básico de Lisboa, sendo que cinco anos mais tarde, em 2010, a Fundação Professor Fernando de Pádua, com a qual o clube colabora em diversos projectos de promoção da saúde, obteve um patrocínio da Fundação Calouste Gulbenkian para desenvolver um projecto de promoção da saúde no concelho de Almodôvar. Conhecendo a experiência do clube nos rastreios em Lisboa, o Rotary Club de Lisboa-Estrela foi convidado a desenvolver um projecto semelhante naquele Concelho, o que tem vindo a fazer desde então. Neste Concelho foi acrescentada uma consulta médica da especialidade às crianças com défices de audição e/ou de visão detetados nos rastreios.

Com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, ao longo deste ano o clube promoveu a realização de rastreios a 160 crianças em três escolas de Lisboa do Agrupamento  de Escolas Marquesa de Alorna, tendo sido detectados défices de visão em 57 crianças, as quais  foram consultadas por uma médica oftalmologista. Foram receitados  25 óculos (cinco para substituição de óculos com graduações desatualizadas ou danificados) e entregues aos pais  cartas para os médicos de família, de uma criança com catarata congénita, três com défices de visão cromática e três com estrabismo e ambliopia. Quanto à primeira fase dos rastreios de audição, foram rastreadas à audição as mesmas crianças, tendo os pais recebido um relatório audiológico. As crianças a quem foram detectadas alterações de audição serão examinadas novamente a 19 de Janeiro  por um audiologista e consultadas por um médico otorrinolaringologista para confirmação ou não do resultado da primeira fase.

Estes  resultados  são semelhantes aos encontrados nos rastreios e consultas médicas da especialidade realizados a cerca de  dez mil crianças nas 95 Escolas de Lisboa nos anos de 2002 a 2005 e em Almodôvar nos últimos seis anos, resultados que evidenciam a importância deste projecto, que deveria ser alargado a todas as crianças no início da escolaridade  (pré-escolar com cinco anos e do primeiro ano do primeiro ciclo do Ensino Básico de Portugal). 

Com a participação da ESTeSC e da ESTeSL, (Escolas Superiores de Tecnologia da Saúde de Lisboa e Coimbra), da Associação Portuguesa de Audiologistas, da Associação Portuguesa de Ortoptistas e dos Rotary Clubs em diversos Concelhos e com o patrocínio de Instituições  como a Fundação Gulbenkian e algumas autarquias, deve criar-se a massa crítica  que faça motivar os  Ministérios da Educação e da Saúde para estenderem este projecto a todo o Território Nacional.

Relativamente ao custo anual deste projecto, o clube possui dados concretos, baseados no custo do projecto em Almodôvar e em Lisboa: cerca de 20 euros por cada criança rastreada à audição e visão, incluindo consultas médicas da especialidade, transportes, alojamento, alimentação e uma pequena remuneração aos profissionais de saúde participantes. Caso o projecto seja alargado a todo o País, num total de 100 mil crianças, terá um custo anual que rondará os dois milhões de euros.

A despesa é imediata e o retorno só terá início quando os alunos entrarem no mercado de trabalho, cerca de 15 anos depois, mas o Rotary Club de Lisboa-Estrela acredita que as vantagens que o projecto proporciona são superiores aos custos inerentes, nomeadamente: sensibilização dos professores e pais para a existência de comportamentos que indiciam a existência de défices na visão ou na audição; redução dos custos de intervenções tardias permitida pela detecção precoce destes défices; construção de uma base de dados do Ministério da Saúde que dará um panorama da situação dos casos existentes e da sua localização, permitindo assim  tomar decisões e realizar estudos baseados na realidade do País, o que presentemente não é possível, como já foi afirmado numa conferência de imprensa pelo Presidente da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia e, por fim, mas não menos importante, a promoção do bem-estar físico e psicológico que a correcção dos défices proporcionará a estas crianças e que se prolongará para o resto das suas vidas.