Ivo Frazão: bolseiro do RC Figueira da Foz/ FRP - é importante que os "bolseiros conheçam as pessoas que fazem o movimento rotário"

 

“Notícias” da Fundação Rotária Portuguesa conversou com Ivo Frazão, jovem que concluiu o mestrado em Engenharia Eletrotécnica e de Computadores, pela Universidade de Coimbra, e que durante todo o percurso académico no Ensino Superior foi bolseiro do Rotary club da Figueira da Foz/Fundação Rotária Portuguesa. A conversa com o jovem aconteceu a propósito do convite que o clube rotário da Figueira da Foz lhe endereçou para proferir uma palestra sobre “a sua experiência como bolseiro”. Ivo Frazão aceitou a oportunidade de partilhar a sua experiência como aluno universitário, o fato de ser bolseiro e a experiência que permitiu de uma forma positiva que vivenciasse em pleno a vida académica. A poucos dias de entrar no mercado de trabalho, o jovem revelou ainda que a experiência como estudante foi gratificante, que sempre se sentiu acompanhado e como a bolsa recebida constituiu uma importante ajuda para suplantar as dificuldades do dia-a-dia.

Notícias (N.) – Em que período do teu percurso académico foste bolseiro do Rotary Club da Figueira da Foz/Fundação Rotária Portuguesa?
Ivo Frazão (I.F.) – Comecei a ser bolseiro ainda no meu primeiro ano de faculdade, em 2013/2014, e percorreu todo o meu percurso académico, i.e., até hoje.
N. – Nesse percurso com certeza que te deparaste com diversas dificuldades. Qual ou quais as que mais te marcaram?
I. F. – Tive duas principais dificuldades no meu percurso académico. A primeira foi a incerteza monetária que assombrou uma boa parte do meu primeiro ano letivo na universidade, onde tive que explorar várias possibilidades para conseguir concluir esta nova fase de estudos. Felizmente, essa situação resolveu-se satisfatoriamente, permitindo que me pudesse dedicar a 100% ao curso. Contudo, a principal dificuldade foi a transição entre a licenciatura e o mestrado do meu curso, onde a carga de trabalho de um ano para o outro aumentou drasticamente. Obrigou-me a uma adaptação inesperada e que envolveu um esforço que me levou ao limite. Contudo, ultrapassada essa fase, penso estar mais resistente, ciente do que sou (ou não) capaz de aguentar e capaz de enfrentar o mercado de trabalho.
N. – Terminaste a licenciatura com média de 19 valores. Queres dizer-nos em que área de estudos? E em que Universidade?
I. F. – A área de estudos que segui foi a Engenharia Eletrotécnica e de Computadores, na Universidade de Coimbra, estando agora a terminar o mestrado no ramo de Computadores do mesmo curso.
N. – De que modo é que a Bolsa de Estudo que recebeste durante os anos em que frequentaste a Universidade te ajudou?
I. F. – Dada a situação financeira débil da minha família (a minha mãe esteve desempregada durante quase todo o meu percurso universitário), pude receber a bolsa de estudo da DGES, o que me assegurou o pagamento das propinas, da residência universitária e da uma parte da minha alimentação. Contudo, sem a bolsa de estudo da Fundação, não teria tido hipótese de enfrentar as restantes despesas enquanto estudante sem ter que obrigar a um esforço financeiro inexequível há minha família e arranjar um emprego próprio, o que dificilmente me permitiria concentrar nos estudos tal como fiz, principalmente na fase crítica que foi o mestrado, e conseguir alcançar os resultados que obtive e hoje me abrem as portas a condições mais favoráveis a um futuro mais próspero.
N. – Conta-nos a tua experiência como Bolseiro?
I. F. – A minha experiência enquanto bolseiro penso que foi uma experiência idêntica às dos meus colegas não bolseiros. Apesar de ter que ter tido uma ajuda externa para fazer os meus estudos (o que me fez procurar ajudar os outros sempre que pudesse), isso não me fez vivenciar a vida académica de forma diferente. Certamente que houve compromissos a fazer, mas não me tornaram diferente de ninguém.
N. – Foste convidado, recentemente, pelo Rotary Club da Figueira da Foz para partilhares a tua experiência como Bolseiro. O que pensas deste tipo de ações que visam aproximar os bolseiros/ex-bolseiros ao movimento rotário?
I. F. – Acho que este tipo de iniciativas são essenciais por dois motivos. Primeiro, permitem que as pessoas envolvidas no Rotary percebam como estão a afetar positivamente a vida daqueles que eles apoiam. Segundo, e mais importante, permitir que os bolseiros conheçam as pessoas que fazem o movimento rotário acontecer e como é que esse movimento acontece, que, no meu caso, sempre foi uma grande incógnita, apesar de já conhecer o Rotary Clube da Figueira da Foz há vários anos.
N. – Em termos de mercado de trabalho já conseguiste o desejado emprego? Se sim onde?
I. F. – Para já, consegui um estágio profissional como analista na Deloitte, em Lisboa, que poderá passar a emprego num futuro próximo.
N. – Que expetativas tens para a nova fase da tua vida?
I. F. – Nesta primeira fase, perceber quem sou fora de uma vida académica, onde tenho tido excelentes resultados, mas que não sei se se transpõem para a vida profissional. Após isso, conseguir garantir um futuro estável para mim e para a minha família.
N. – Que conselho(s) darias a um Bolseiro ou futuro Bolseiro?
I. F. – Apesar de ser uma preocupação importante, o dinheiro não é tudo. Pude experimentar uma vida académica plena sem que ele fosse um impeditivo. Há compromissos a fazer, certamente, mas não impedem de experimentar de tudo um pouco o que esta fase da vida tem a oferecer e que já são memórias inesquecíveis!

Num minuto… Conta-nos um pouco mais sobre ti:

Nome: Ivo Micael Frazão Costeira
Idade: 23 anos
Natural: Figueira da Foz
Reside: Figueira da Foz
Hobby: Ver séries
Livro preferido: “Sinais de Fogo”, de Jorge de Sena
Disco/músico preferido: Sufjan Stevens
Filme que mais gostei: “Kingsman”
Prato preferido é: Arroz de cabidela
Praia: Nenhuma, não sou apreciador de praia
País: Alemanha
Férias em: Estados Unidos
Viagem que gostava de fazer: Nenhuma em específico, desde que bem acompanhado
Objetivo de vida: Atingir estabilidade financeira
O que me inspira é: Saber mais coisas de tudo um pouco, o conhecimento em si