Jovem Distinguido com a Bolsa Ferreira da Silva no 58º aniversário da FRP - Mickael Salgado: "não há impossíveis se houver dedicação, empenho e amor ao que se apraz fazer"

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

    “Notícias” conversou com Mickael Mendes Salgado, que através do Rotary Club de Montemor-o-Velho, foi distinguido no 58.º aniversário da Fundação Rotária Portuguesa (FRP) com a Bolsa do Fundador Ferreira da Silva. O jovem que atualmente frequenta o 2.º ano do Mestrado em Ensino de Canto, na Escola Superior de Música de Lisboa, fala de si e da importância de ter recebido esta distinção.

     

    Notícias (N.) – O que é que te motiva a seres um bom aluno?
    Mickael Salgado (M.S.) O que me motiva a ser um bom aluno é o que motiva os requisitos da aprendizagem cultural, pessoal, académica, escolar, em todos os âmbitos possíveis e imaginários que visam adquirir uma instrução futura, estável e duradoura.
    Tudo isto aliado à vontade de viver e à curiosidade em conhecer o universo que me rodeia.


    N. – Ficas-te surpreendido por teres sido escolhido para receber uma bolsa de âmbito escolar?
    M.S. – Confesso que fiquei surpreendido por ter recebido a bolsa, mas por outro lado, cresceu dentro de mim, com ela, o entusiasmo de mostrar que há força para além da cegueira, trabalho, talento, humildade e perseverança pela conquista de objetivos traçados. Mostra igualmente o quanto a Fundação Rotária Portuguesa está sempre atenta aos jovens que, tal como eu, primam pelo brilhantismo (ou tentam pelo menos) em tudo o que fazem, para além de sentirem prazer em fazer o que fazem.
    Por isso, deixo aqui o meu generoso agradecimento a esta entidade, com orgulho e simplicidade que me caracterizam, por se ter lembrado do meu trabalho, que não é mais do que uma honra para quem o segue e para mim mesmo.


    N. – Uma vez que recebeste esta bolsa, em que medida é que te vai ajudar?
    M.S. – A bolsa recebida poder-me-á ajudar na expansão do meu percurso académico e musical, poderá motivar outros jovens a trabalharem cada vez mais em prol da humanidade e de si próprios, na certeza porém de que futuramente conseguirão obter esta e outras bolsas, dado que não há impossíveis se houver dedicação, empenho, amor ao que se apraz fazer e luta constante por um determinado intento.


    N. – No teu percurso académico, com certeza que te deparaste com diversas dificuldades. Qual ou quais as que mais te marcaram?
    M.S. – As dificuldades são inerentes a todos os percursos, sejam eles académicos, pessoais ou profissionais, até mesmo escolares. Há dificuldades específicas que vão marcando este país e a vida de um cego, nomeadamente a escassez de recursos literários, bibliográficos e informativos existente para a escola e para a música. Refiro-me concretamente a partituras (falta delas).
    Para se ler música é necessário ter-se acesso a livros ou catálogos que nos facultem material musical com notas e figuras rítmicas das respetivas peças que se aprendem, tanto a nível instrumental ou vocal. Em Portugal isso é uma raridade, pelo que urge a necessidade de colmatar esta grande lacuna.
    No entanto, esta necessidade não me inibiu de aprender e exercitar a memória cognitiva e sensorial, permitiu-me captar auditiva e mentalmente as obras que tinha de apresentar em cada aula ou exame ou mesmo audições que anualmente eram feitas no conservatório nacional de música de Coimbra, o qual concluí com sucesso todas as disciplinas lá lecionadas, paralelamente à conclusão do 12.º Ano, igualmente em Coimbra.


    N. – Neste momento frequentas o 2.º Ano do Mestrado em Ensino de Canto, na Escola Superior de Música de Lisboa. Quais as tuas perspetivas para o futuro?
    M.S. – O primeiro desejo que peço para o futuro enquanto perspetiva é saúde, para que possa realizar todos os meus desejos acrescidos.
    Peço sabedoria na ignorância para nunca deixar de aprender até morrer; peço um emprego na minha área, isto é, dar aulas de canto em qualquer género musical, embora goste mais de dar aulas de fado do que em qualquer outro, mas tudo o que vier nessa matéria será bem-vindo e feito com todo o amor que uma alma simples pode almejar.
    Peço paz a quem me acolhe, ao meu lar, porque o meu seio precisa de tê-la, como qualquer seio familiar que se preze.

     

    Num minuto…

    Nome: Mickael Mendes Salgado
    Idade: 26
    Natural: França, arredores de Paris
    Reside: Portela Tentúgal
    Hobby: Passear
    Livro preferido: “Lusíadas”
    Disco/músico preferido: Jorge Ferreira e Fernando Farinha
    Filme que mais gostei: “Paixão de Cristo”
    Prato preferido é: Arroz de pato
    Praia: Meia-praia em Lagos, Algarve
    País: Alemanha
    Férias em: Lagos, Algarve
    Viagem que gostava de fazer: Munique, Alemanha
    Objetivo de vida: Ser feliz
    O que me inspira é: Cantar, amar e ser amado