Parceria entre o RC Setúbal e o E-Club Portugal do Distrito 1960 dinamiza restaurante social

Pela importância e dinamismo que trouxe à comunidade da Paróquia de N.ª Sr.ª da Conceição, em Setúbal, “Notícias” da Fundação Rotária Portuguesa (FRP) divulga mais uma iniciativa rotária enquadrada no âmbito do regulamento de candidatura a projetos de apoio da FRP. Trata-se do projeto “Restaurante Social da Paróquia N.ª Sr.ª da Conceição” que envolveu o Rotary Club de Setúbal e o E-Club Portugal D. 1960, que no ano a que reporta a ação 2014-2015 tiveram como presidentes, respetivamente, António Fernando de Albuquerque Canhão e José Alberto Santos Antunes. Maria do Rosário Pereira Lopes foi a responsável pelo acompanhamento da execução do projeto (que teve o seu início em fevereiro de 2015 e que os clubes deram como terminado no final do primeiro trimestre deste ano) e nossa interlocutora, nesta conversa.

 

Notícias (N.) – Como decorreu o processo de candidatura do projeto “Restaurante Social da Paróquia N.ª Sr.ª da Conceição”?
Maria do Rosário Lopes (M.R.L.) – O processo de candidatura surgiu do contato com a obra – Restaurante Social – da paróquia de N.ª Sr.ª da Conceição, em Setúbal. Esta paróquia está localizada na zona da Belavista. As famílias aqui residentes têm carências graves de primeira necessidade, em consequência de um elevado número de desemprego e de desequilíbrios sociais típicos de uma população vivendo em zonas marginais. Conhecendo a importância e necessidade deste Restaurante Social, o RC de Setúbal e o E- Club Portugal D. 1960 associaram-se e concretizaram, com o significativo apoio da FRP, este projeto.


N. – Qual o alcance deste projeto enquadrado na ênfase da do Combate à Fome e à Pobreza?
M.R.L. – O Restaurante Social da Paróquia de N.ª Sr.ª da Conceição, em Setúbal, está a funcionar desde 2011, mas de forma regular a partir de junho de 2013, fornecendo diariamente, fins de semana incluídos, uma refeição completa a pessoas da comunidade da sua área, com o objetivo de lhes suprir a necessidade básica de alimentação. Também distribui alimentos a famílias carenciadas inscritas na paróquia e qualificadas para essa atribuição.


N. – Tratou-se de um projeto de apoio social centrado no restaurante social da paróquia da N.ª Sr.ª da Conceição em Setúbal. Que benefícios trouxe à comunidade?
M.R.L. – Ao apoiar este projeto o Rotary Club de Setúbal teve em conta o papel fundamental que a citada paróquia tem tido no combate à fome, na zona da Belavista, a mais carenciada e problemática de Setúbal. Com este projeto melhorou-se muito a capacidade de resposta a um mais alargado número de pessoas. É de realçar o contributo que o pároco e a sua equipa têm dado em prol da Paz e da resolução de conflitos sociais graves, que ocorrem, com frequência, naquela zona.


N. – Como surgiu a ideia dos clubes rotários de Setúbal e E-Club Portugal D1960 se juntarem para levar a cabo este projeto?
M.R.L. – O E-Club Portugal D. 1960 não estando inserido numa comunidade, apoia projetos de outros clubes. Gostaram muito deste projeto e disponibilizaram-se para nos apoiar.


N. – É uma mais valia os clubes jantarem-se e desenvolverem atividades em parceria?
M.R.L. – Pensamos que sim. O fato de os clubes se juntarem pode contribuir para dar uma dimensão maior aos projetos.


N. – Quem mais esteve envolvido nesta ação para além dos clubes rotários?
M.R.L. – Muita gente esteve envolvida e contribuiu para a angariação de fundos para este projeto. Organizamos um grande evento na Casa Ermelinda de Freitas, que constou de visita às Caves e Prova de Vinhos, um almoço, com animação pelo cantor setubalense Toy e um Desfile de Moda Campestre. Com este aliciante programa conseguimos praticamente trezentas pessoas da comunidade e dos clubes rotários. A grande adesão das pessoas deveu-se também ao facto de a receita deste evento reverter integralmente para a aquisição de fundos para o Restaurante Social, obra que é muito reconhecida em Setúbal. Para o sucesso deste evento também contribuiu o empenho da Dr.ª Leonor de Freitas que ofereceu a prova de vinhos e todo o vinho consumido no almoço e ainda ofereceu para sorteio uma garrafa do seu vinho especial Leo D´onor. Também a Acampo, empresa que organizou o desfile de moda e um “show” de cavalos contribuiu para enriquecer o evento, que ficou na memória de todos os que a ele assistiram.    


N. – Qual foi a recetividade da instituição à realização do projeto?
M.R.L. – A recetividade da instituição foi excelente, tendo o padre Constantino e alguns membros da sua equipa acompanhado todas as fases do projeto com muito empenho. Como reconhecimento ao Rotary foi descerrada uma placa no Restaurante Social, indicando o apoio do RC de Setúbal. Esta cerimónia realizou-se no decorrer de um jantar/reunião, naquele espaço.   


N. – Que balanço faz agora que o projeto foi concluído?
M.R.L. – Este projeto contribuiu para a aquisição de equipamento hoteleiro para a conservação e serviço de refeições, o que permitiu o aumento do número de refeições a servir durante o ano de 2015 – 190 refeições/dia, o que representou um aumento de 50% em relação ao ano de 2014.
Há que ter em conta que este restaurante social tem um papel de intervenção social junto da comunidade da paróquia, resolvendo e apaziguando conflitos sociais, combatendo a pobreza, promovendo a dignidade humana, na partilha de bens e serviços, na promoção da responsabilização e participação, no desenvolvimento da coesão social, na formação dos utilizadores e no fortalecimento do voluntariado. A qualidade das refeições e das instalações e o serviço de voluntários, devidamente capacitados para esta função, ajudam a combater o estigma de “restaurante dos pobres”. Este restaurante está aberto a outras pessoas e grupos que previamente reservem as suas refeições, pagando-as ao preço do mercado, contribuindo assim para a promoção da coesão social.


N. – O clube tem atuado com sucesso na área do Combate à Fome e à Pobreza. No futuro pensam diversificar a ação?
M.R.L. – O clube pensa continuar a apoiar esta obra. Aliás, todos os anos há duas recolhas de alimentos no supermercado Jumbo, que revertem integralmente para esta obra. A recolha é feita com a presença de rotários e de cerca de vinte voluntários da paróquia. Em média cada recolha é de duas toneladas de alimentos.