NRDC de Pombal "Reconstruir" - ajuda à reconstrução de uma habitação em Pedrogão Grande

Em 17 de Junho de 2017 Portugal viveu dias de verdadeira catátrofe, com diversos incêndios a fustigarem a zona centro do país. O fogo começou no concelho de Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, alastrando aos concelhos de Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Ansião (distrito de Leiria); ao concelho da Sertã (distrito de Castelo Branco) e ao concelho de Pampilhosa da Serra (distrito de Coimbra). Como se não bastasse, no mesmo dia deflagrou outro incêndio de grandes proporções no concelho de Góis, distrito de Coimbra, que posteriormente alastrou aos concelhos de Pampilhosa da Serra e de Arganil. No dia 20 de Junho de 2017 uma das frentes de fogo do incêndio de Pedrógão Grande juntou-se ao incêndio de Góis. Foi o maior incêndio florestal de sempre em Portugal, o mais mortífero da história do país, com 66 mortos, e mais de 240 feridos. Entre outras perdas mais de 500 habitações ficaram danificadas ou foram mesmo consumidas pelas chamas. Milhares de pessoas perderam tudo o que tinham.
No fim-de-semana em que tudo começou um grupo de voluntários constituiu o Núcleo Rotary de Desenvolvimento Comunitário de Pombal – “Reconstruir” (NRDCP-R), com o objetivo de “ajudar no esforço de reconstrução necessário em toda aquela área”. É sobre esta aventura, que falámos com os responsáveis do NRDC-R que nos dão conta de como iniciaram esta tarefa e de como está a decorrer o projeto de reconstrução de uma habitação na povoação de Figueira, que tornará a dar a alegria de viver a uma família.

 

Notícias (N.) – Como surgiu o Núcleo Rotary de Desenvolvimento Comunitário de Pombal – “Reconstruir” (NRDCP-R)?
Núcleo Rotary de Desenvolvimento Comunitário de Pombal – “Reconstruir” (NRDCP-R) – O Núcleo Rotary de Desenvolvimento Comunitário – “Reconstruir”, surgiu a 18 de Junho de 2017, face ao choque da tragédia dos incêndios na zona do Pinhal Interior Norte, sobretudo nos concelhos de Castanheira de Pêra, Figueiró dos Vinhos e Pedrógão Grande. Nesse momento alguns cidadãos sentiram que poderiam ajudar no esforço de reconstrução necessário em toda aquela área e é aí que o Núcleo verdadeiramente nasce.


N. – Na base da constituição deste núcleo está a vontade de um grupo de voluntários fortemente empenhado em levar a bom porto a iniciativa ReConstruir o Pinhal Interior Norte. Foi fácil juntar este grupo?
NRDCP-R – Este grupo criou-se por meio de contatos entre um grupo de cidadãos e a reunião do grupo foi fácil. Como em todos os grupos, consolidar-se-ia depois e tem sido um grupo coeso e proactivo, em que cada elemento é fundamental no seu funcionamento e dinamização.


N. – A iniciativa tem regras, melhor dizendo segue o articulado expresso numa Carta de Princípios. Quer explicar-nos quais são as principais orientações?
NRDCP-R – O Núcleo Rotary tem um regulamento/regimento interno que segue as orientações de Rotary e que se anexa a este questionario, não obstante cabe registar algum principios subjacentes ao mesmo.
O apoio altruísta a uma comunidade profundamente ferida e fragilizada poderia ser indicado como a nossa razão de existir primeira. As principais orientações do Núcleo, patentes na sua Carta de Princípios, passam também pelo trabalho gracioso de quantos se envolvam no projeto, assim como pela participação generosa e sem contrapartidas monetárias das empresas que se lhe queiram associar. Outra abordagem importante é a permanente abertura à entrada de novos elementos, que se pautem pelo exercício sério das tarefas julgadas necessárias pelos técnicos que superintendem a construção. Da mesma forma, pugnamos para que todo e qualquer donativo monetário ou em espécie seja convertido em prol da obra e sem qualquer outro fim. A formação profissional ou académica de qualquer interveniente não será um obstáculo à sua participação, desde que dê o melhor de si no contexto das tarefas necessárias.
Está tambem assumido como princípio respeitar a legislação, as orientações da Autarquia e a comunidade onde se insere.


N. – O Núcleo Rotary Desenvolvimento Comunitário-Reconstruir com o apoio do Rotary Club de Pombal e de outras entidades/instituições está a promover a reconstrução de uma habitação na aldeia de Figueira, Pedrógão Grande, destruída pelo devastador incêndio que assolou a região centro em 17 de junho de 2017. Como está a decorrer o processo?
NRDCP-R – O processo está a decorrer de forma positiva, pese embora o fato de os trabalhos só evoluírem ao fim de semana, pela ocupação profissional dos seus elementos. As tarefas de construção civil decorrem com normalidade, supervisionadas por profissionais da área mas também voluntários, estando neste momento a obra na fase de instalação da cobertura e concretizada em aproximadamente 70%. Por outro lado, permitam-nos referir que os elementos do Núcleo são já vistos, na aldeia em causa, como pertencendo àquela comunidade, num trabalho de apoio social e humano que vai já muito além de uma mera obra de construção civil.


N. – Para além dos fundos próprios do Rotary Club de Pombal e dos fundos oriundos do Fundo de Calamidades de Rotary, quem mais apoia esta iniciativa?
NRDCP-R – Esta iniciativa tem recebido apoio de diversas entidades e empresas, que passamos a, dentro do possível, listar: Cimpor, Artebel, Eurobetonilhas, ANR & Filhos, Município de Pedrogão Grande, MGM Portões, Manuel da Conceição Santos, Vidreira Bizeladora Marquês de Pombal, CLS Equipamentos, Creative Energy, Macolis, Caiado, Hilti, Libearte, N2M Topografia, CivilCasa, António Justo Engenharia, Pombal Projecto, Pedro Santos Arquitectos e Sicomater.


N. – A 17 de Agosto de 2017 reuniram condições para poderem avançar com os primeiros trabalhos. Até que ponto foi importante a presença de Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República e de António Costa, primeiro-ministro, no local? Quais a principais dificuldades encontradas?
NRDCP-R – A presença das mais altas entidades nacionais revestiu-se de importância simbólica e foi fator de motivação. Os principais constrangimentos prenderam-se inicialmente com os entraves burocráticos e legais, relacionados com a definição da propriedade dos imóveis destruídos no incêndio. Desde que essa fase foi ultrapassada, as principais limitações prenderam-se com a dificuldade de disponibilização de mão-de-obra qualificada voluntária e gratuita e com a obtenção de donativos de materiais, também pelo clima de suspeição criado em torno do encaminhamento de donativos e que, nos sendo totalmente alheio, acabou por influenciar a predisposição para o apoio.


N. – Esta iniciativa além de resconstruir a habitação e devolver a dignidade de ter um lar a uma família que tudo perdeu, visa criar condições para que a povoação continue a crescer social e economicamente. Certo?
NRDCP-R – Certíssimo. Além de uma família de cinco pessoas, estamos a ajudar toda uma comunidade a reerguer-se, dinamizando o local e atraindo para ali investimento e apoio social.


N. – Em que data equacionam entregar a habitação à família de Anabela Paiva Coutinho?
NRDCP-R – A entrega das chaves acontecerá até ao final do próximo mês de Novembro.


N. – Este é um exemplo da verdadeira solidariedade que deve nortear os cidadãos e, nomeadamente o Movimento Rotário?
NRDCP-R – Acreditamos que sim, já que se baseia no princípio simples de ajudar quem necessita de ajuda, sem esperar que nos chamem e sem qualquer retribuição em vista que não seja a satisfação de ter ajudado. Permita-nos um exemplo: no último dia de Natal, as únicas crianças presentes naquela aldeia eram filhos de elementos do Núcleo. Naquela manhã visitámos pessoas, conversámos, convivemos, partilhámos. Fomos nesse dia à aldeia porque entendemos que seria bom ali levar vida e sorrisos. Não nos enganámos e aquele Natal foi de facto feliz para algumas pessoas, pelo simples facto de lá termos estado. E acreditamos que o Movimento Rotário se reveria plenamente naquela manhã de oferta de vida, mesmo que num cenário de morte.

 

Regimento Interno do NRDC