Rotary Club de Águeda organizou palestra sobre "Reflexos da Poliomielite, um testemunho"

Data: 13/03/17

O Rotary Club de Águeda promoveu a reunião palestra com o tema “Reflexos da Poliomielite, um testemunho”, que ocorreu no dia 9 de Março, na sede clube rotário, com o intuito de contextualizar a importância do trabalho desenvolvido em Portugal e no Mundo no combate à doença mais temida pelos pais em meados do século XX, a Poliomielite.

“Com tudo o que passei sou uma mulher feliz” foram as palavras com que a convidada do Rotary Club de Águeda, Enfermeira Celeste Pinto, iniciou o seu testemunho comovido e repleto de energia, demonstrando uma vida de superação.

Recém-nascida em 1940 e com sintomas desconhecidos é confrontada com um estado de debilidade que termina no diagnóstico possível de poliomielite. Durante os primeiros seis meses de vida conseguiu recuperar, ganhar forças e maior resistência, mas foi também nessa altura, em que começava a gatinhar, que os seus pais perceberam que tinha ficado com sequelas graves, principalmente nos membros inferiores, uma paralisia na perna esquerda. Primeiro foi-lhe diagnosticada raquitismo, que foi tratada com choques e cálcio, mas depois levou a um segundo diagnóstico que confirma a permanência do vírus da poliomielite. 

Em 1945 iniciou entre Porto e Lisboa tratamentos às sequelas deixadas. Foi uma infância de luta e resistência, mas com um aliado inesperado. Franklin Roosevelt, presidente dos Estados Unidos entre 1933 e 1945, também ele foi infetado pelo vírus na infância, e por isso desenvolveu um programa de auxílio e combate à poliomielite. Esse programa proporcionou nos Estados Unidos uma redução de 25000 infetados para 1500 entre os anos de 1945 e 1950. Com o conhecimento adquirido vieram pela Europa, médicos e cirurgiões norte-americanos ministrar os novos dados da evolução no combate à doença, por intermédio da vacina e também para proceder a intervenções de recuperação dos pacientes afetados. A Enf. Celeste Pinto teve a oportunidade de poder ser operada ainda que tivesse que esperar 4 anos pela passagem da equipa médica por Lisboa.

Apesar de ter sido uma recuperação difícil para uma criança, e da sua adolescência e juventude terem também sido marcadas pela doença e pela sua sequela, Celeste conseguiu tornar-se numa mulher forte, feliz e com muita paixão pela profissão que exerceu, enfermagem.

Com uma mensagem clara a Enf. Celeste relembrou “é importante a vacinação como forma de garantir a ausência da doença nas nossas crianças”.