Rotary Club de Lisboa-Belém recebeu Professor Dr. Jaime Nina para palestra sobre a Pólio

 

Combate à Polio – último passo foi o tema do jantar seguido de palestra que se realizou no passado dia 19 de Outubro, pelas 21h30, no Hotel Vila Galé – Ópera, uma iniciativa dinamizada pelo Rotary Club de Lisboa-Belém.

O orador convidado foi o Professor Dr. Jaime Nina, especialista em Infecciologia e Medicina Tropical no Hospital Egas Moniz, Professor na Faculdade de Ciências Médicas na “Nova Medical School”, Professor no Instituto de Medicina Tropical e Presidente Eleito do Colégio de Medicina Tropical.

Dado o seu conhecimento nesta área, o Rotary Club de Lisboa-Belém endereçou o convite ao Professor Dr. Jaime Nina para fazer um ponto da situação do combate à Pólio e também uma avaliação histórica, social e científica da poliomielite, que foi apresentada de um modo lógico muito apreciado pela audiência.  

O orador convidado começou por explicar que bactérias, vírus, parasitas e outros agentes responsáveis por doenças infecciosas têm condições de desenvolvimento próprias, cujo conhecimento permite o seu melhor controlo. Para além das características do agente infeccioso, consideram-se sempre as condições ambientais, nomeadamente a falta de água ou o seu excesso, a grande densidade populacional, as deslocações de grandes agregados populacionais, a situação política e até a religião, factores que podem ser favoráveis ou não à transmissão do agente responsável pela doença. Cada agente infecioso tem a sua especificidade. As maiores dificuldades estiveram, durante milénios, relacionadas com o desconhecimento do comportamento biológicos desses agentes. Hoje em dia, que essa informação está disponível, é mais fácil estabelecer estratégias de combate ao agente nos diversos pontos do ciclo de transmissão.

O Professor Dr. Jaime Nina acrescentou que o comportamento humano, seja ele individual ou colectivo, pode favorecer a transmissão da doença, pelo que conquistar a confiança e envolver todos os interessados é fundamental para o êxito de qualquer campanha.

O conhecimento, o saber e a estratégia no combate à pólio foram apropriados, afirmou o orador, sublinhando que só assim se explica como é que algumas doenças infecciosas, com estratégias assertivas foram controladas (caso da pólio e da varíola) e pelo contrário, ainda falta tanto para o conseguir bons resultados noutras infecções, não obstante os esforços e campanhas supostamente bem planeadas. Mesmo assim, na posse de dados sobre o comportamento da sociedade e do comportamento biológico do agente infecioso (vírus da pólio), sabe-se que qualquer facilitismo das organizações de combate à doença se pode converter no seu reaparecimento. Quando parece que tudo está controlado, considerando que só são conhecidos casos pontuais num ou outro ponto do Mundo, rapidamente pode reaparecer uma epidemia ou uma pandemia, dada a facilidade de circulação de pessoas assintomáticas.

Para finalizar, o Professor Dr. Jaime Nina sintetizou as três condições que têm de estar reunidas para garantir um Mundo livre de Pólio, designadamente o conhecimento da epidemiologia, a monitorização da doença nas regiões com condições desfavoráveis e, por fim, a alteração, quando possível, dos factores locais de risco conhecidos.