71ª Conferência Distrital Distrito 1960 - Dr. Francisco Moita Flores - Palestra "Há Mar e Mar, há ir e voltar... a pirataria e a segurança no mar"

 

Após um excelente momento musical protagonizado pelos alunos Sérgio Gladkyy e Maxim Nedobezhkin, do Conservatório de Albufeira, acompanhados pelo Professor Gonçalo Pescada, seguiu-se a primeira palestra desta Conferência, intitulada “Há Mar e Mar, há ir e voltar…a pirataria e a segurança no mar”, proferida pelo Dr. Francisco Moita Flores.

A Companheira Governadora Designada Mara Ribeiro Duarte fez uma breve apresentação biográfica do Dr. Francisco Moita Flores que, após concluir os seus estudos em Beja, frequentou o Bacharelato em Biologia, tendo sido Professor do Ensino Secundário nessa área até 1978. Nesse mesmo ano, ingressou no curso de investigação criminal e formação de inspectores da Polícia Judiciária, onde foi colega do Governador Abílio Lopes. Até 1990 integrou brigadas de furto qualificado, assalto à mão armada e homicídios, mas acabou por deixar a Instituição para se dedicar à vida académica. Regressou dois anos mais tarde, para proceder aos estudos e avaliações do movimento criminal e foi nessa altura que participou no programa televisivo “Casos de Polícia”, que foi um ponto de viragem nas relações entre a polícia e a comunicação social. Licenciado em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, do seu currículo consta actividade como escritor, com a elaboração de dezasseis guiões para séries, catorze livros e sete ensaios e ainda a distinção como Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique a 8 de Junho de 2009, pelo Presidente da República, Prof. Aníbal Cavaco Silva.

Fazendo uma análise histórica, o Dr. Francisco Moita Flores recordou que a relação de Portugal com o Mar foi uma relação que passou pela conquista, pela navegação, mas que não podemos esquecer que esta história também envolveu predação, pirataria, roubo, escravização e que foi uma história terrível de saque por todo o Mundo. O palestrante analisou a partida dos navegadores portugueses para a Índia em busca do monopólio das especiarias, as grandes epopeias da passagem do Cabo Bojador e do Cabo da Boa Esperança, a ida para o Brasil em busca do ouro e a colonização africana.

“O Mar esteve sempre presente nos momentos mais decisivos da nossa história e da nossa gente, e quando se deu a entrada na Comunidade Europeia nós virámos-lhe as costas e ignorámos um princípio rotário básico, que é dar sem estar à espera de receber, tudo por causa da nossa ganância, do oportunismo e do calculismo político”, sublinhou. O antigo inspector da Polícia Judiciária questionou como é que Portugal conseguiu dar um activo tão grande à humanidade, que é a língua portuguesa, a língua mais falada no hemisfério sul e a quinta língua mais falada no Mundo, por 250 milhões de pessoas. Na sua opinião, é simples: esta diáspora foi construída através do Mar, Mar esse que é estratégico para o futuro do país, do qual devemos dispor como sendo a nossa pátria e entender como sendo uma ponte para o desenvolvimento.

Por todos estes motivos, o Dr. Francisco Moita Flores lançou o apelo: “a verdadeira riqueza de um povo é o seu potencial humano, vamos fazer um esforço individual e colectivo para reconquistar o Mar, vamos procurar fontes de energia alternativa que possam equilibrá-lo e trazê-lo de volta para dentro do nosso território, para que Portugal possa renascer da penumbra e da miséria onde está atolado. O nosso Mar é a universalidade dentro de nós, somos 250 milhões que através do Mar deram sentido à nossa pátria que é a língua portuguesa!”, concluiu.