71ª Conferência Distrital Distrito 1960 - Professor António Morais - Palestra "O Mar, esse desconhecido..."

 

Após a introdução ao segundo dia de trabalhos da Conferência, feita pelo Governador Abílio Lopes, seguiu-se uma palestra do Professor António Morais, subordinada ao tema “O Mar, esse desconhecido…”.

O Professor António Morais concluiu o Curso da Escola de Magistério Primário em 1973, é licenciado em História (variante de Arqueologia) pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e bacharel em História, também pela Universidade de Coimbra, no ano de 1978.

Ao longo da sua vida profissional teve várias funções: professor do Ensino Primário, oficial miliciante técnico de abastecimentos na Força Aérea, professor do ciclo preparatório, Comandante dos Bombeiros Voluntários de Penacova, consultor de higiene e segurança no trabalho, redactor do jornal “Diário de Lisboa”, Presidente de Associação de Dadores Benévolos de Sangue de Caldas da Rainha, Presidente de Associação de Pais da Escola Preparatória D. João II nas Caldas da Rainha, Vice-Presidente da Federação Portuguesa de Motonáutica, representante de Portugal em colóquios internacionais sobre segurança. O seu mérito e excelência foram várias vezes reconhecidos em louvores nos Diários da República e em sessões de Câmaras Municipais.

O palestrante iniciou a sua intervenção afirmando que o Oceano é um desafio, uma oportunidade e património do nosso passado, sobre o qual temos uma visão um pouco truncada com uma série de situações sobre as quais devemos reflectir. Fazendo uma análise sob uma perspectiva histórica, afirmou que a expansão portuguesa só começou verdadeiramente em 1434 com a passagem de Gil Eanes pelo Cabo Bojador, porque antes disso, em 1415 com a conquista de Ceuta, os portugueses partiram para roubar ouro, dinheiro e comida, aquilo que considerou ser “uma verdade incómoda, pois os portugueses foram verdadeiramente gatunos do Mar”. O Professor António Morais fez ainda uma abordagem à rota do navegador português David Melgueiro, entre 1660 e 1662, ao serviço da marinha holandesa, no sentido Oriente-Ocidente, ligando o Japão a Portugal através da passagem do Nordeste, no Ártico.

Regressando aos dias de hoje em dia, reiterou que os portugueses são confrontados com a necessidade de retornar ao Mar, e neste sentido explicou que foi apresentada uma proposta de alargamento da zona exclusiva marítima, que faria de nós um dos maiores países do Mundo, proposta esta que se encontra em análise e que terá de obter um parecer, seja ele positivo ou negativo, até 2020.

“O futuro de Portugal passa necessariamente pelo Mar, pelo desenvolvimento de resorts turísticos, pela criação de plataformas para zonas eólicas, pela aposta nos desportos náuticos, porque temos condições ímpares. Mas o futuro obriga-nos também a uma grande reflexão e a uma alteração de hábitos”, afirmou, concluindo: “sou um apaixonado pelo Mar, a minha ancestralidade árabe impele-me ao mar, à contemplação do belo e de um dos sítios mais lindos da costa portuguesa, que os meninos da escola deviam ser obrigados a ir lá, que são as Berlengas”.

No período dedicado ao debate, foi abordada essencialmente a questão do legado cultural e civilizacional que os portugueses deixaram nos países por onde passaram, e que os distingue dos outros povos, tendo o Professor António Morais considerado fundamental aprofundar as relações de proximidade com esses países, que estão ávidos da nossa presença e têm por nós uma enorme consideração.