RC Maia ajuda na formação de técnicos e voluntários de organizações sociais

“Notícias” da Fundação Rotária Portuguesa (FRP) prossegue a divulgação de iniciativas enquadradas no âmbito do regulamento de candidatura a projetos de apoio da FRP. Conversámos com Hélder Sampaio, responsável pela comissão dos projetos Humanitários do Rotary Club da Maia, e responsável por acompanhar o projeto que o clube desenvolveu no sentido de ajudar na formação de técnicos e voluntários de organizações sociais da cidade. O clube, que neste ano rotário é presidido por Artur Castro, promoveu uma iniciativa de formação designada por “Dragon Dreaming”.

 

Notícias (N.) – Desde a entrada em vigor do novo Regulamento de Candidatura a Projetos de Apoio à Fundação Rotária Portuguesa o Rotary Club da Maia candidatou 7 projetos divididos pelas áreas de ação da Alfabetização/Educação e Combate à Fome e à Pobreza. Destes, 6 foram aprovados. Que balanço faz desta participação?
Hélder Sampaio (H.S.) – O balanço é muito positivo e demonstra que vale a pena aproveitar os apoios que a Fundação Rotária Portuguesa disponibiliza para os projetos.
No Rotary Club da Maia, tentamos ser criativos na tipologia de projetos a candidatar e esforçamo-nos para que sejam diversificados e que alcancem públicos diferentes. Temos realizado projetos de resposta a problemas mais prementes da sociedade, como por exemplo o apoio a famílias mais carenciadas. Mas, também projetos no âmbito da capacitação de agentes das organizações sociais e pessoas da sociedade civil. Estes últimos têm sido projetos que usam ferramentas inovadoras e muito práticas, para serem usadas em complemento a quem intervém para a transformação social. São métodos disruptivos, face aos tradicionais. Cada vez mais tendemos para a estruturação de projetos que estimulem a um pensamento e a uma forma de trabalho sustentável e não assistencialista. Que por tendência são muito limitados no tempo.


N. – Em Setembro último candidataram um projeto na área de ação Alfabetização e Educação. Em que consistiu este projeto?
H.S. – O projeto que foi candidatado tem o nome de Dragon Dreaming. É um programa que consiste num sistema de metodologias para a criação colaborativa de projetos sustentáveis, permitindo o crescimento pessoal, clareza na comunicação, definição de papéis e o compromisso de todos, capturando a inteligência coletiva para resultados com impacto.
Combina a teoria de sistemas, o conhecimento ancestral, exercícios de mindfulness e ferramentas de desenho participado de projetos, que ajudam a encontrar soluções para desafios complexos.
Este programa leva-nos para fora da nossa zona de conforto para acedermos ao ponto da nossa maior criatividade adotando-se, ao mesmo tempo, uma cultura de ganha-ganha-ganha e uma comunicação autêntica.


N. – Para concretizar este projeto o clube realizou parcerias? Se sim com quem?
H.S. – Sim, o clube contou com a parceria da Quinta de Vilarinho, que contribuiu de duas formas, através de participação monetária e na cedência das suas instalações para a realização do projeto.


N. – Como decorreu a ação “Dragon Dreaming”?
H.S. – A ação correu dentro do previsto. Teve a adesão de pessoas ligadas a empresas, a organizações sociais e da sociedade civil, que contou até com um participante da Galiza, que tem funções de coordenação em projetos de empreendedorismo para jovens.


N. – Que novos projetos pensa o clube desenvolver?
H.S. – Ideias não faltam. O que é sempre mais difícil é conseguir os apoios, principalmente financeiros para os realizar, ou ter mais pessoas da sociedade civil a desenvolver projetos com o Clube. Já tivemos essa validação, através de projeto que apoiamos durante 3 anos, focado na capacitação de pessoas desempregadas. Esse projeto foi coordenado por uma pessoa que não era rotária, mas que estava altamente motivada e alinhada com a nossa missão. O resultado foi bastante significativo e contribuiu para a capacitação de dezenas de pessoas que viram depois a sua condição profissional e pessoal mudar, porque passaram a ser muito mais pró-ativas na procura e na partilha de oportunidades de trabalho, que foram resultando em projetos de vida de entrada no mercado de trabalho, ou a conclusão de estudos, ou até mesmo na criação do seu próprio emprego.
Dito isto, a título de exemplo, no Rotary Club da Maia, pretendemos continuar a desenvolver projetos diferenciadores e mais necessários à comunidade, como um de capacitação/formação de crianças e jovens em linguagem de programação, tema bastante oportuno para o desenvolvimento da criatividade, do raciocínio abstrato, que poderão resultar em mais facilidade em resolver desafios matemáticos no dia-a-dia enquanto estudantes. Gostaríamos de ser a ignição de algo na Maia, para depois alavancar para as escolas. Quanto mais cedo estimularmos para estas áreas, melhor, e a linguagem de programação tem provado isso. É uma disciplina de futuro, que pode começar já.


N. – Que comentário lhe suscita a participação da Fundação Rotária Portuguesa no apoio financeiro aos projetos apresentados pelos clubes. É uma mais-valia?
H.S. – Sem dúvida! A realização de qualquer projeto tem sempre uma necessidade de financiamento. Felizmente desde alguns anos o Rotary Club da Maia tem elaborado projetos com candidaturas de sucesso e estamos conscientes que a sua implantação, só tem sido possível também com o apoio que é dado pela Fundação Rotária Portuguesa.
Gostaríamos de ir mais longe e sabemos que o estabelecimento de parcerias é a via para conseguirmos ter mais fundos. Por isso queremos ter projetos que demonstrem o seu verdadeiro impacto. Um parceiro que tenha a noção do impacto com o seu apoio (monetário ou outro tipo de recursos) passa a ser conhecedor do verdadeiro resultado do que ajudou a atingir. Não bastam atitudes altruístas. É preciso também importarmo-nos com os resultados e os clubes rotários devem ter essa preocupação, em comunicar o verdadeiro impacto dos resultados dos seus projetos na comunidade, a quem é seu parceiro.
Somos apologistas de desenvolver projetos mais sustentáveis e que nos liguem mais à comunidade, para uma envolvência partilhada de resultados positivos e relações duradouras. Como sabemos, os projetos mais assistencialistas, serão de duplicação à missão das organizações sociais e de relações efémeras com a comunidade.

 
N. – Entende que os projetos dos clubes se devem confinar apenas e, só, à área de Alfabetização/Educação ou que também seja alargado aos projetos Promoção de Saúde e Recursos Hídricos e Ambiente, conforme previsto no plano estratégico em vigor?
H.S. – Considero que os projetos devem ser alargadas às restantes áreas sugeridas no plano estratégico. No entanto, creio que era positivo que as percentagens dos apoios dados pela Fundação Rotária Portuguesa, devessem ser na mesma proporção a todos as áreas. Provavelmente resultariam em mais candidaturas nessas áreas.