RC Monção e comunidade reflorestaram freguesia de Merufe

“Notícias” da Fundação Rotária Portuguesa (FRP) dá continuidade à divulgação de iniciativas enquadradas no âmbito do regulamento de candidatura a projetos de apoio da FRP. Conversámos com Joaquim Meira, do Rotary Club de Monção, que acompanhou o desenrolar do projeto que o clube desenvolveu, no sentido de reflorestar parte da área ardida na freguesia de Merufe, concelho de Monção, nos incêndios de 14 e 15 de outubro de 2017. O clube no ano rotário 2017-2018  foi presidido por Paulo Esteves e o projeto intitulou-se “Reflorestação de área ardida na Freguesia de Merufe”. Nesta importante ação desenvolvida junto da comunidade local, estiveram envolvidos, entre outros, alunos do Agrupamento de Escolas de Monção.

Notícias (N.) – Que balanço faz da participação do RC Monção no programa de apoios que resulta do novo Regulamento de Candidatura a Projetos de Apoio à Fundação Rotária Portuguesa?
Joaquim Meira (J.N.) – O Rotary Club de Monção faz um balanço muito positivo do novo Regulamento de Candidaturas de Projetos de Apoio à Fundação Rotária Portuguesa. Este Regulamento quando surgiu possibilitou que os clubes se pudessem mobilizar em torno de projetos, tornando visível a sua ação na comunidade. Se não tivesse havido este Regulamento havia maior dificuldade na implementação de apoios à comunidade. A Fundação Rotária Portuguesa está de parabéns por este tipo de projetos.
N. – Em Fevereiro último, o clube candidatou um projeto na área de Recursos Hídricos e Ambiente “Reflorestação de Área Ardida na Freguesia de Merufe”. Conte-nos como surgiu esta ideia?
J.M. – No Plano de Ação do presidente do Rotary Club de Monção, 2017/2018, comp.º Paulo Esteves, estava presente uma candidatura no âmbito da Fundação Rotária Portuguesa. O clube estava hesitante no tipo de projeto que iria desenvolver. A hesitação devia-se a ser ou no âmbito da Educação ou no âmbito dos Recursos Hídricos e Ambiente.
Aquando da visita oficial do governador, comp.º Alberto Soares Carneiro, houve uma proposta feita pelo companheiro Governador ao clube, uma vez que Monção tinha sido um dos concelhos com maior área ardida em outubro. A existência de um companheiro que era presidente da Junta de uma das freguesias mais massacradas pelos incêndios possibilitou logo nesse momento a tomada de decisão sobre o tipo de projeto a desenvolver.
N. – Para concretizar este projeto o clube realizou outras parcerias? Em caso afirmativo com quem?
J.M. – Sim. O clube realizou parcerias para concretizar esse projeto. O clube queria que o projeto tivesse grande impacto junto da comunidade e não fosse só simbólico. Por ação do nosso companheiro Márcio Alves, presidente da Junta da freguesia de Merufe, concelho de Monção, foi possível mobilizar a Comissão de Compartes daquela freguesia, que proporcionou uma grande parte da verba, para a reflorestação de uma vasta área; depois através de outro companheiro, foi possível angariar verbas de duas firmas: a farmácia Pereira e Barreto e a empresa NC & CL, Lda.
N. – Quantos voluntários participaram nesta atividade?
J.M. – A partir do momento em que sabíamos que o projeto ia ser concretizado, uma vez que o companheiro governador Alberto Soares Carneiro nos tinha dado essa garantia, não só quisemos que a plantação tivesse forte impacto na comunidade, como fosse ela própria o ensejo para fazer pedagogia nas populações mais jovens. Partimos para a apresentação da ação junto do agrupamento de escolas de Monção e selecionamos uma escola básica localizada na zona ardida, a escola de Tangil. Deste modo, no Dia Mundial da Floresta toda a população escolar, que abrangia idades desde os 3 até aos 15 anos, juntamente com os professores e assistentes operacionais e membros do Rotary Club de Monção, num total de cerca de 300 pessoas, foram mobilizadas para a plantação. Estiveram ainda presentes nessa data os sapadores florestais, os bombeiros, a GNR e os serviços florestais. A Câmara Municipal de Monção esteve presente e organizou o transporte dos alunos entre a escola e o local. O companheiro governador e a esposa estiveram também presentes.

N. – Tratou-se de reflorestar uma vasta área ardida na freguesia de Merufe, com a plantação de cerca de 9 mil árvores. Que qualidade de árvores plantaram?
J.M. – A seleção das árvores coube à junta de freguesia de Merufe e aos serviços florestais, que optaram por fazer a plantação de árvores autóctones, tratando-se de 9 mil árvores compostas por carvalhos, bétulas e ciprestes, sendo na sua grande maioria carvalhos.
N. – Que novos projetos pensa o clube desenvolver?
J.M. – O clube tem apresentado todos os anos novos projetos tendo para este ano apresentado um projeto na área da educação, para um concurso de ideias dirigido a estudantes do ensino secundário. Este concurso visará a apresentação de ideias criativas na área do ambiente e da solidariedade.
N. – Que comentário lhe suscita a participação da Fundação Rotária Portuguesa no apoio financeiro aos projetos apresentados pelos clubes. É uma mais-valia?
J.M. – Sim, A participação da FRP neste tipo de apoio financeiro, possibilita que os clubes sejam mais dinâmicos e possibilitem intervir na comunidade a que pertencem. Sem esta ajuda, não seria possível que a maioria dos clubes apresentasse projetos com a envergadura do que foi apresentado pelo Rotary Club de Monção, no ano rotário transato.
N. – Entende que os projetos dos clubes se devem confinar apenas e, só, à área de Alfabetização/Educação ou que também seja alargado aos projetos Promoção de Saúde e Recursos Hídricos e Ambiente, conforme previsto no plano estratégico em vigor?
J.M. – Entendemos que os projetos dos clubes não se devem limitar apenas a uma área. Limitar a uma área será limitar a ação dos clubes. Mas entende o Rotary Clube de Monção que a percentagem de apoio deveria ser igual a todas as áreas dos projetos, porque os clubes optam por aquelas em que vão buscar mais dinheiro à FRP, limitando muitas vezes a vontade dos clubes.