Jovem Distinguido com a Bolsa Teixeira Lopes no 58º aniversário da FRP - Diogo Pereira: "o meu presente é o mais imprevisível de todos os futuros que podia ter imaginado"

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

    “Notícias” conversou com o jovem estudante Diogo José Teixeira Pereira, distinguido no 58.º aniversário da Fundação Rotária Portuguesa (FRP) com a Bolsa Teixeira Lopes – Bolsa Escolar – Melhor Bolseiro Distrito Rotário 1960. O jovem que atualmente frequenta o segundo semestre do 1.º Ano de Mestrado em Ciência Política e Relações Internacionais, especialização em Estudos Europeus, fala de si, da sua experiência de vida, da importância de receber esta bolsa escolar e do futuro.

     

    N. – O que é que te motiva a seres um bom aluno?
    Diogo Pereira (D.P.) – A paixão pelo estudo surgiu de uma forma algo natural na minha vida. Acredito profundamente na ideia de “path dependence”, isto é que, que escolhas iniciais que fazemos na nossa vida se vão autorreforçando ao longo do tempo e geram outras escolhas. Todavia, estamos, em certa medida, dependentes das escolhas iniciais que fizemos. Não significa isto que tenha uma visão determinista das coisas. Quero com isto apenas enfatizar que “somos a bagagem que trazemos”. Donde redunda que quanto mais estudo, mais questões coloco a mim próprio acerca do mundo que me rodeia. Na verdade, a minha paixão pelo estudo alicerça-se numa premissa que há uns anos epitomei numa das minhas reflexões. A de que quem reflete e ajuíza sobre as coisas recusa-se a ser um mero espetador compassivo perante a realidade para exercer um direito que está acima de qualquer outro, o de ser um sujeito ativo e participativo na construção de um espaço que não é construído, de forma alguma, à sua revelia. A reflexão e o conhecimento constituem-se, portanto, como a pedra angular do “individual empowerment” que deve ser um desígnio de cada um de nós nas nossas vidas.


    N. – Que sensação tiveste ao terminar o 3.º Ano da Licenciatura em Ciência Política e Relações Internacionais na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, com média de 18,6 valores?
    D.P. – No início do meu 3.º ano de Licenciatura tracei um objetivo muito concreto: dar o melhor de mim para manter a minha média, de forma a terminar a licenciatura com média de 18 valores. No final do primeiro semestre, a concretização desse desígnio estava no bom caminho, mas iria no semestre seguinte de Erasmus e a direção poderia mudar. Efetivamente, antes de embarcar nessa aventura as questões eram imensas, as dúvidas constantes e as certezas escassas. Hoje, olhando em retrospetiva para esse período, acredito que, verdadeiramente, as mudanças que mais resistimos constituem o combustível do nosso crescimento. No final, após a superação dos vários que fui enfrentando nesse ano, nas várias dimensões da minha vida, sinto um profundo sentimento de missão cumprida. Ter terminado o 3.º ano da licenciatura com essa média permitiu, em larguíssima medida, atingir o desiderato que me tinha autoproposto no início do ano letivo. Porque, de facto, como Robin Sharma bem nos relembra, “your results are dependent on your devotion. Your performance reveals your practice”.


    N. – Ficaste surpreendido por teres sido escolhido para receber uma bolsa de âmbito escolar. Neste caso a Bolsa Teixeira Lopes, que configura um dos galardões entregues ao melhor bolseiro(a) da Fundação Rotária Portuguesa (Distrito Rotário 1960)?
    D.P. – Há que dizer que desconhecia a existência desta distinção antes de a ter recebido. Quando fui informado que tinha sido escolhido para a receber fiquei bastante surpreendido. Após ter “processado a informação”, a sensação de missão cumprida que senti no final do meu 3.º ano letivo de licenciatura adquiriu, ‘sine dubio’, uma dimensão amplamente reforçada.


    N. – Em que medida é que esta Bolsa te ajudou?
    D.P. – Não esperava receber este prémio, mas quando o recebi o destino dele estava já traçado: investir na minha formação e em mim próprio. Até porque o investimento em nós próprios constitui-se como o melhor investimento de longo prazo que podemos fazer. Bem sei que os seus resultados não são imediatos. Todavia, devemos ver para além da lógica reinante do curto prazo. Só para lá da espuma dos dias é que poderemos descobrir, como bem nos relembra Fernando Pessoa, ‘as formas invisíveis’. 


    N. – Quais as principais dificuldades que tiveste ao passares do Ensino Secundário para o Ensino Superior. Ainda te recordas?
    D.P. – Qualquer mudança que operamos nas nossas vidas é sempre difícil inicialmente. Este processo de mudança significa a destruição das nossas estruturas antigas que, durante esse processo, dão lugar a novas estruturas mais fortes e robustas. É por isso que a mudança é sempre confusa quando ela está a ocorrer. Mas da confusão, do caos emerge a clareza, emerge um indivíduo mais forte e capaz de lidar com os desafios com que é confrontado. Viver numa nova cidade, onde ninguém nos conhece pode parecer assustador à primeira vista, mas é também uma imensa janela cheia de possibilidades. Uma janela de oportunidade que, no fundo, permite reinventarmo-nos a nós próprios. Ao nível académico, ter passado da filosofia do «livro único» (do Secundário) para uma filosofia mais aberta, em que não há apenas um livro, mas tantos quantos nós quisermos explorar para enriquecer o nosso conhecimento. Tratou-se de uma mudança que apreciei bastante. Isto porque não há apenas uma perspetiva para ver as coisas, mas várias perspetivas que devem ser calibradas e integradas para descobrir o âmago das questões. No fundo, esta mudança do Ensino Secundário para o Ensino Superior permitiu-me descobrir uma tendência mais vasta deste mundo pós-moderno, bem saliente nas palavras de Heraclito quando este afirma que a mudança é a única coisa que permanece. Esta mudança operou um ‘turning-point’ na minha vida. A oportunidade que ela em si plasma abriu a porta a outras oportunidades. Como Sun Tzu nos relembra, as oportunidades multiplicam-se à medida que são agarradas.


    N. – Como é estar a estudar na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa?
    D.P. – O ‘turning-point’ que foi operado na minha vida na passagem do Ensino Secundário para o Ensino Superior é indissociável da instituição que frequento. A Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova  (FCSH/NOVA) permitiu-me abrir os meus horizontes em termos de abertura de espírito e de pensamento. Como Frank Zappa evidencia, a mente humana é como um paraquedas, só funciona aberta. Foi nesta faculdade que pude descobrir mais de mim próprio e mais de mim com os outros. A diversidade de pensamento desta Faculdade constitui, verdadeiramente, a sua maior força. Uma força que é também uma oportunidade para todos os seus alunos, no sentido em que lhes permite atingir novos níveis de Maestria intelectual. Uma Maestria intelectual que tem um impacto extremamente positivo em toda a arquitetura do indivíduo, no seu todo. É, aliás, uma condição ‘sine qua non’ para enfrentar este mundo pós-moderno em que, como Marshall Berman vincou, “all that is solid melts into air”. A FCSH/NOVA, mais do que a minha ‘alma mater’, constitui-se, portanto, como a plataforma que deu o ‘kick-off’ para a mudança estrutural que o Ensino Superior em mim operou.  


    N. – Estás a frequentar o segundo semestre do 1.º Ano de Mestrado em Ciência Política e Relações Internacionais, especialização em Estudos Europeus. Quais são as tuas expectativas após a sua conclusão?
    D.P. – Costuma dizer-se que o futuro a Deus pertence. Eu diria que o futuro ao futuro pertence. ‘By the way’, o caminho, esse, vai-se fazendo. O meu presente é o mais imprevisível de todos os futuros que eu podia ter imaginado. Jean Monnet afirmou um dia que não existem ideias prematuras, existem momentos oportunos pelos quais é preciso saber esperar. Ora, neste contexto, “if the window of opportunity opens, do not lower the blinds”.


    N. – Como encaras a entrada no mercado de trabalho, após concluíres o percurso académico?
    D.P. – Robin Sharma afirmou que “success is the result of a delicate balance between making things happen and letting things happen”. Quando a vida se torna mais difícil, então, temos nós próprios de mudar para sermos mais fortes. No ginásio quando treinamos os nossos músculos, estamos a “parti-los”, dando-lhes o sinal de que têm de crescer para aguentar com mais peso. Ora, na vida há um processo análogo a este: devemos entender, como Paulo Coelho nos ensina, que a dificuldade é uma ferramenta para fortalecer a nossa vontade. Encaro, portanto, a entrada no mercado de trabalho com a abertura de espírito que um jovem de 22 anos deve encarar. Isto é, sem limites territoriais e com a flexibilidade necessária para o desenrolar desse processo. Há um provérbio chinês que ilustra bem esta ideia: “a língua resiste porque é mole; os dentes cedem porque são duros”.

     

    Num minuto…

    Nome: Diogo José Pereira                
    Idade: 22       
    Natural: Abrantes (São João)
    Reside: Lisboa
    Hobby: Leitor compulsivo
    Qual é a tua maior virtude? Resiliência
    Qual o teu maior defeito? Teimoso
    Livro preferido: “1984”, de George Orwell
    Disco/músico preferido: Leonard Cohen
    Filme que mais gostei: La vita è bella | The Pursuit of Happyness
    Prato preferido é: Bacalhau com natas
    Praia: Nazaré
    País: Países Baixos
    Férias em: Talasnal
    Viagem que gostava de fazer: Nova Iorque
    Objetivo de vida: Superar-me a mim próprio a cada dia!
    O que me inspira é: Lema: “Lutar sempre, desistir jamais!”